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Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Post Número 61 = O ataque dos insetos venusianos mutantes


Uma verdadeira infestação de pernilongos está transformando nossas noites em insuportáveis pesadelos. Como se não bastasse termos de dormir cobertos por colchas e até mesmo edredons, ainda temos que conviver com o detestável cheiro de repelente e a fumaça do DurmaBem. O que agora é desagradável, já me trouxe muitas risadas num passado remoto.

Lá pelos meus treze anos, e isso faz tempo, eu costumava dormir na casa da Tia Marília, então solteira, nos fins de semana que eu passava em Campo Grande. Como a região era muito arborizada, os insetos faziam a festa com o cair da noite. Então começávamos nosso ritual de extermínio, munidos de sprays, vassouras, travesseiros e o que mais pudesse acabar com aqueles malditos e desagradáveis pernilongos.

Era uma verdadeira guerra, onde só os mais fortes poderiam sobreviver. De um lado, estávamos nós: os humanos acuados. Por todos os outros lados estavam eles: os malditos monstros alados, sugadores de sangue, metidos a mini-vampiros. A batalha era travada dentro do quarto, com o ar-condicionado ligado na potência máxima, pois dessa forma pensávamos estar colocando-os em considerável desvantagem.

João Victor, ainda muito pequeno para entender tudo aquilo, se divertia com nosso espetáculo acrobático. Eis que, pego em um momento de distração, eu aspiro alguns dos pernilongos pela boca. Dois deles, lembro ter engolido no susto. Comecei a tossir, quase como se tivesse sido abatido no meio da guerra.

Acudido por minha tia, consegui me livrar do acesso de tosse, só para descobrir que um dos malditos sanguessugas havia ficado preso no arame de meu aparelho dentário. O danadinho, para não chamar de demoniozinho, não só permanecia vivo, como tentava desesperadamente se libertar daquela armadilha.

Corri para o banheiro e fiz questão de dar cabo de sua vida, jogando seu corpo inerte no escoador da pia. Depois de nos recompormos, voltamos para o campo de batalha e mostramos nosso poder de fogo. Exterminamos todos os malditos, e pudemos dormir tranquilamente. Até a noite seguinte, quando todo o processo seria repetido, contra uma nova horda de invasores.

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Sexta-feira, Agosto 19, 2005

Post Número 60 = Pique-Esconde


Brincar de pique-esconde era a desculpa para a garotada da minha época tirar uns sarros das meninas. Não era sempre que conseguíamos convencer alguém a se juntar ao bando, mas depois que a bagunça começava a se formar, o número de cabeças ia aumentando gradativamente. Certa vez, chegamos ao cúmulo de ter 50 pervertidos numa partida. É claro que a proporção entre garotos e garotas era esmagadora, mas o que importava é que uma delas não podia faltar.

Justamente a mais porca, era a mais vagabunda de todas. Seu nome será preservado para evitar constrangimentos. Afinal de contas, o orkut pode ser bastante inconveniente nesses casos. Essa menina, a quem vou carinhosamente chamar de Maria-Mijona, foi a desvirginadora de quase todos os marmanjos da região.

Todas as trepadas, e foram muitas mesmo, ocorriam durante esses nossos piques. Por conta das enormes amendoeiras que temos na região, a luz dos postes eram insuficiente para seus propósitos e sua falta era ótima para os nossos. Ao fim da rua, uma casa abandonada, cujo portão de ferro estava despencando, servia de base para nossas investidas. Cenário mais do que perfeito para nos embrenharmos no escuro sem sermos descobertos.

Hoje, a Maria-Mijona ainda mora aqui. Recentemente, descobri que se assumiu lésbica e continua fedendo tanto quanto nos tempos de nossas saliências na escuridão. Ela está gorda, feia e meio perturbada, mas ainda faz aquela cara de safada, quando dá de cara com um de nós, maquiavélicos aproveitadores.

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Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Post Número 59 = Mentirinhas


Eu tinha um amigo chamado Ítalo, que morava no prédio em frente à minha casa. Todo fim de tarde, juntávamos nossa turminha e inventávamos algum jogo, brincadeira ou qualquer outra coisa que crianças costumam fazer para se divertir. Normalmente, terminávamos a noite contando causos de terror, com performances dignas de novela mexicana.

Éramos tão inocentes, em relação aos meninos de hoje em dia, que dificilmente nos misturávamos com as meninas. Esse tipo de contato só viria a acontecer alguns anos mais tarde, com o estouro da febre de pique-esconde com segundas intenções. Antes disso, nossa perversão vinha me forma de pequenas mentirinhas aterrorizantes.

Muitas dessas historinhas eram inventadas por nós, no intento de amedrontar os menores, que insistiam em se meter no meio dos marmanjos. Quase sempre conseguíamos perturbar o sono de alguns deles, tanto que nossas mães eram frequentemente forçadas a nos prender em casa para prevenir outros ataques psicológicos. Bons tempos aqueles, em que podíamos nos permitir inventar mentiras para nos divertirmos.


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Quinta-feira, Agosto 04, 2005

Post Número 58 = Assuntos Caninos




Claire, minha cadela, anda toda metida a besta. Desde que criou seu próprio perfil no Orkut, ela nunca mais foi a mesma. Agora, passa o dia inteiro sentada de frente para o computador, caçando algum vira-latas nas comunidades caninas mais badaladas.

A bichorra fez tanto sucesso que virou comentário geral em todas as rodas de conversa, desde a paróquia até as festa de família. Todo mundo paparicando a mocinha, que só quer chamar a atenção para ganhar um cafuné.

O problema é que ela já está me pedindo para usar msn, soulseek e até skype. Quer falar com a prima Donatella, que foi morar na Áustria. Definitivamente, tornou-se uma estrela virtual. E como já anda e fala, só me falta ela aparecer de óculos e presilhas nos cabelos.

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