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Quinta-feira, Junho 30, 2005

Post Número 51 = Boom!


Tudo bem, eu sei que estamos no mês de junho, e que é normal as crianças brincarem com bombinhas e coisas do gênero. Mas alguém precisa dar uma verificada no que é que estão vendendo para os pivetes, porque as explosões aqui na minha rua mais lembram uma guerra. É barulho de granada, míssil, escopeta... acho que estou no meio de uma batalha, e nem mesmo me alistei...


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Terça-feira, Junho 28, 2005

Post Número 50 = Cortinas vermelhas


Finalmente, com vinte e sete anos na cara, eu consegui assistir uma peça de teatro. Pois é, o rapaz aqui nunca teve a oportunidade de ver as cortinas vermelhas se abrindo, mesmo sendo tão apaixonado pela ficção. A peça em cartaz era As artimanhas de Scapino, adaptação de um texto de Moliére. Não sei de foi o encantamento de principiante, ou se a peça era realmente excelente, mas a noite acabou ficando registrada como sendo uma das melhores da minha vida.


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Quinta-feira, Junho 23, 2005

Post Número 49 = Como se a vida fosse um condomínio fictício


Tem horas que eu não acho o seriado Melrose Place tão inverossímil quanto dizem... Tudo bem que, na vida real, ninguém atira vasos de cristal nas paredes todo santo dia, mas observando por outros aspectos, existem várias nuances muito familiares. Pode não ser tão descarado, mas são as mesmas intrigas, as mesmas traições e as mesmas mentiras que permeiam nosso cotidiano urbano. Muita gente há de concordar comigo: em qualquer lugar, sempre existe fofoca. E onde há fofoca, tem intriga. E onde há intriga, tem confusão. E onde há confusão, ninguém sai ileso. É um lamaçal de imundícies que faz a gente ficar com nojo de fazer parte de um elenco tão competente. Dos mais altos escalões políticos aos mais humildes salões de cabeleireiros, assim como Mastercard!


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Terça-feira, Junho 21, 2005

Post Número 48 = Tá foda, garotinha!


Arrumar um emprego aqui nesta merdinha de cidade está ficando cada vez mais insuportável. Se você não tem mais de cinco anos de experiência, eles te consideram um bosta e nem sequer aceitam marcar uma entrevista. Em contrapartida, alguns lugares acham que se você já completou uma faculdade, está hiper-qualificado para o cargo que está disponibilizado.

Não me surpreende que tanta gente esteja tentando ganhar a vida com atividades ilícitas, ou alternativas. Esses profissionais liberais estão tirando mais dinheiro na marginalidade do que aqueles que trabalham conforme as regras institucionalizadas. Não é difícil ver um motorista de Kombi cheio de anéis de ouro e maços de dinheiro no bolso.

Ter um diploma universitário já não é mais sinal de status, o que vale é a sua carteira de contatos. Se você conhece o primo do cunhado da amante do prefeito, você consegue um emprego supimpa em alguma repartição fantasma, e ainda ganha um salário invejável.

Estou começando a reconsiderar a idéia, que eu tive na adolescência, de abrir um prostíbulo. Só vou ter que me dar ao trabalho de arrumar um muquifo, dar uma ambientação bacanuda e colocar um anúncio de emprego para putinhas sapecas. Mão-de-obra especializada é o que não vai me faltar!


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Quinta-feira, Junho 16, 2005

Post Número 47 = Deeper and deeper


E eu estou tendo sérios problemas para lidar com a abstinência de academia. Meu sono está completamente desregulado, meu apetite desordenado e meu peso já ultrapassa os setenta e cinco quilos. Para quem pesava normalmente uns sessenta e seis, isso é um pouco exagerado.

Nem é falta de vontade de voltar a malhar, muito pelo contrário. Estou doido para me inscrever na academia para onde foram meus colegas de malhação, mas me falta o principal. O dinheiro. O capital. O que faz os olhos brilharem.

Enquanto isso não chega, fico por aqui, me consolando com biscoitos gordurosos e litros de refrigerantes. Dormir até um, duas horas da tarde já se tornou hábito, e fundo do poço já não é algo tão inatingível assim... Alguém me joga uma corda?


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Segunda-feira, Junho 13, 2005

Post Número 46 = Dos problemas animais


Minha cã está com gravidez psicológica, mais uma vez. Todo semestre é a mesma coisa, ela entra no cio e logo depois fica toda perturbada. Anda de um lado para o outro com seus bichinhos de pelúcia na boca, fazendo ninhos pelos cantos da casa. Seus olhinhos brilhantes passam um certo ar de tristeza, porque no fundo, ela está sentindo dor, ou desconforto.

É preciso ter muita paciência para lidar com esse comportamento dela, pois a bichinha fica sensível aos nossos tons de fala e humor. Se dermos a impressão de que ela está incomodando, é capaz de entrar em depressão. Só com esses dados já dá para saber que estou falando de um poodle, né? Justamente o tipo mais frágil que poderia ter sido inventado.


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Sábado, Junho 11, 2005

Post Número 45 = Não esqueceram de mim


Minha mãe e meu pai viajaram com os amigos da igreja. É a primeira vez que eles saem sozinhos, deixando os rebentos em casa. Isso mesmo. As ¿crianças¿ nunca ficaram sozinhas em casa por todo um fim de semana. E eu estou adorando a bagunça.

Eles são o tipo de pais super-protetores, que abrem a porta do nosso quarto no meio da madrugada para se certificar que nenhum coiote tenha nos comido. E se tiver algum pernilongo perturbando, eles se prontificam a nos acordar nas frustradas tentativas de matar os insetos.

E então, antes de viajar, minha mãe deixou comida pronta para um batalhão. Sendo que, lá em casa, somos só eu e meu irmão. Isso sem contar a minha , que só come sua ração e alguns pedacinhos de carne sem tempero.

Já posso até ver eles retornando para casa antes da hora, preocupados com a possibilidade dos filhos desenvolverem anemia de um dia para o outro. Por mim, eles poderiam sair de viajem toda semana, pois eu faria miséria com uns pacotes de miojo e algumas paneladas de pipoca.


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Post Número 44 = "Sua namorada vai adorar!"


Passeando pelo shopping, fui atingido por uma borrifada de perfume na cara.

"Sua namorada vai adorar !"

Eu também adoraria, se não tivesse uma puta bronquite alérgica e não estive com o nariz cheio de catotas!


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Quinta-feira, Junho 09, 2005

Post Número 43 = Tiros para todo lado


Todo mundo se espanta com um tiroteio de vinte minutos em Ipanema, fazendo com que isso se torne assunto de todos os telejornais e programas de entrevistas. De fato, é surpreendente que, num lugar com tanto policiamento, possa acontecer algo assim.

Mas a verdade é que, viver no Rio de Janeiro é um eterno risco. Tanto que é normal ouvirmos tiroteios aqui na região. Quase toda noite ouvimos os gritos dos bandidos, xingando os policiais que passam na ronda.

A diferença é que um tiroteio na Penha não dá Ibope. Não sai em nenhum jornal, e nem gera comentários. A não ser que morra algum repórter da rede Globo. Aí sim, a paz volta a reinar por aqui. Mas dura pouco. E eu ando realmente cansado dessa rotina. Alguém me leva daqui?


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Quarta-feira, Junho 08, 2005

Post Número 42 = A casa de praia em Belo Horizonte.


Sonhei com minha falecida avó, esta noite. Não sei por qual motivo, peguei carona com um amigo, que estava indo para Minas Gerais. No carro também estavam duas primas e nossa antiga empregada, a Nina. Como todo sonho é maluco, passávamos pela Lapa, São Conrado e, dois minutos depois, estávamos em outro estado.

Chegamos a Belo Horizonte e paramos numa casa, que tinha um banquinho de concreto, forrado com um tecido de algodão cru. Uma goteira caída de uma goiabeira, manchando todo o estofado. Do outro lado da calçada, vários policiais faziam fila para comprar salsichões numa carrocinha de cachorro-quente... Esses detalhes esquisitos tornam o sonho cada vez mais absurdo, mas enfim...

Sem mais nem menos entramos e damos de cara com minha avó. Ela estava morando em uma casa de praia em Belo Horizonte [!!!!], e usava uma máscara verde no rosto. Estava muito diferente do que me lembrava, mais rejuvenescida. Apesar disso, estava muito triste e sozinha.

Quando eu ia perguntar a ela por que havia se distanciado tanto de nós, minha mãe me acordou para ajudar aqui em casa. É sempre assim, na parte meais interessante, alguém chega e te acorda. O sonho acabou, definitivamente.


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